Me sinto incapaz de realizar qualquer coisa satisfatoriamente. Até esse momento eu tentei controlar a minha existência e transformá-la em alguma outra coisa de maior valor, comparando o que faltava em mim com o que sobrava nos outros. Dessa forma, eu seria um ser perfeito, bom o suficiente para que todos gostassem de mim e me aceitassem como sou, ou ao menos quem eu havia me tornado. Todo esse esforço por eles e por mim. Por não ser bom o suficiente.
E agora... depois de achar que havia mudado, que havia aprendido a valorizar o que há em mim, me sinto como uma criancinha de novo. Sempre busquei a imagem de uma pessoa inteligente, sagaz, capaz de se virar sozinha, respeitável e culta nos assuntos que me interessavam. Vivi como se a vida fosse feita de lógica e devesse ser compreendida dessa maneira, então minhas atitudes eram resultados de cálculos criados para evitar a tão temida falha. Porque falhar era inaceitável. Falhar significaria mostrar que não era perfeito, mostrar que não era bom o suficiente e fazer as pessoas desistirem de minha presença. Viver agradando, convencendo-as do contrário... esse era o caminho correto. Aprendi isso em casa. Aprendi isso na vida. A vida toda.
E agora, depois de achar que aprendi tanto sobre tantas coisas, vejo que realmente não sei fazer algo bem simples: viver. Eu não sei o que é... viver. Simplesmente viver. Deixar as coisas fora do meu controle e aceitar quem eu sou... aceitar que quem eu sou é parte de uma mudança constante que acontece ao redor de mim o tempo inteiro, com todas as experiências que provocamos e pelas quais passamos, independente de nossos desejos. Essa sabedoria nunca me pertenceu e eu realmente, realmente não sei como fazer, por onde devo começar.
Não me sinto forte para confiar em mim mesmo, então não confio nos outros também. Me sinto, às vezes, como uma existência sem sentido, buscando comprovar que tem o direito de permanecer entre as outras. Mas em alguns momentos eu quero só me deixar desaparecer... assim talvez alguém note meu sofrimento e tente me resgatar, me faça ver o que não consigo. Só que esse não é o caminho para eu me sentir melhor, sei disso. E nem tenho pensamentos suicidas, se é o que meu texto pareceu mostrar até agora.
Só... não consigo acreditar no orgulho que as pessoas dizem sentir de mim. Não consigo acreditar que haja alguém que me conheça realmente, sinto como se estivesse enganando a todos o tempo todo, especialmente a mim mesmo. Mas não sei dizer o porque disso ou que partes de mim deixei de tentar mostrar, é apenas uma sensação irracional que me acompanha desde que me lembro.
Essa dor é necessária para meu crescimento, de criança para adulto, e sei que vou atravessá-la, seja para melhorar de vez ou só para adiá-la. Mas para alguém que cresceu se culpando, se cobrando, se criticando e acreditando que não haveria uma alma nesse mundo capaz de aceitá-lo como é... se aceitar fica difícil. Não tentar ser o outro e nem sentir inveja da felicidade alheia é difícil. Não alimentar pensamentos sujos e escondê-los por trás de uma máscara de sorriso e bondade é muito difícil.
Mas é ainda pior ter que continuar assim. Estou nascendo para o mundo? Precisa mesmo doer tanto? Por que não me ajudaram antes? Por que nem ninguém me disse as coisas que precisava ouvir enquanto crescia? Droga, por que me deixaram ir tão longe em minha loucura auto-destrutiva? Ninguém responde. Ninguém responderá. Foram só as minha escolhas e as dos outros, cada um achando que estava fazendo o melhor, mesmo que fosse mentira.
Me sinto perdido e triste o tempo todo desde essa descoberta. E sinto muita vergonha em admitir tudo isso, o que mostra que ainda não me aceito como sou, só consigo pensar no que poderia e deveria ser. Sou meu pior inimigo.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Tudo que quero ser
É muito fácil eu perder a linha de meus pensamentos e deixar que minhas ações sejam guiadas pelos motivos errados. Estou tão acostumado a precisar das opiniões alheias que me sinto preso a um hábito antigo. Esse lixo se depositou em minha mente criando muitas camadas, soterrando minha visão sobre mim mesmo e minha vontade de lutar pelos meus sonhos. Porque eu queria manter as coisas perfeitas para nada perder, fossem pessoas ou momentos. Mas nada me pertence e tudo há de se perder um dia, menos quem somos.
Por desejar ser amado, me acorrentei ao desejo de outras pessoas. Por desejar ser elogiado, tolhi meus talentos e me privei de tentar e aprender errando. Por temer ser rejeitado, fingi qualidades e defeitos que não me pertencem de verdade. E tudo isso agora, vejo, é lixo. É claro que todos queremos ser amados, elogiados, respeitados. Mas há uma grande diferença entre quando você sabe que merece tudo isso por ser quem você é, fazendo as coisas do seu jeito, e agir para apenas conseguir certas reações dos outros. O vazio que procede dessa atitude invalida nossos esforços, nos mostrando quanto trabalho tivemos para controlar o que ninguém controla.
Se somos todos pássaros nessa vida, uns voam mais alto que outros. Uns deixam seus ninhos com mais facilidade que os outros. Mas não há de se confundir essas atitudes com a nossa natureza: todos temos asas, todos podemos voar à nossa maneira.
Confiar em mim mesmo, limpar todo o lixo que acumulei e colocar meus pensamentos no lugar... isso é o que irei fazer. Porque não quero ser amado, nem elogiado, nem aceito. Eu quero ser eu mesmo, com todas as minhas deformidades psicológicas, com todos os meus anseios e meus talentos. Descubro assim um amor narcisista que desconhecia, um amor que me torna capaz de amar aos outros da maneira devida também, como cada um merece.
Estou pronto para dizer: me odeiem! Me detestem, me atinjam, me rejeitem! Estou aqui, estou vivo e mudar pelos outros já não é mais uma opção. Vou abrir minhas asas e voar ao meu modo, levando a minha vida para onde meus instintos me mandarem.
Porque tudo que eu posso ser está em mim. E tudo que eu quero ser é quem eu sou.
Por desejar ser amado, me acorrentei ao desejo de outras pessoas. Por desejar ser elogiado, tolhi meus talentos e me privei de tentar e aprender errando. Por temer ser rejeitado, fingi qualidades e defeitos que não me pertencem de verdade. E tudo isso agora, vejo, é lixo. É claro que todos queremos ser amados, elogiados, respeitados. Mas há uma grande diferença entre quando você sabe que merece tudo isso por ser quem você é, fazendo as coisas do seu jeito, e agir para apenas conseguir certas reações dos outros. O vazio que procede dessa atitude invalida nossos esforços, nos mostrando quanto trabalho tivemos para controlar o que ninguém controla.
Se somos todos pássaros nessa vida, uns voam mais alto que outros. Uns deixam seus ninhos com mais facilidade que os outros. Mas não há de se confundir essas atitudes com a nossa natureza: todos temos asas, todos podemos voar à nossa maneira.
Confiar em mim mesmo, limpar todo o lixo que acumulei e colocar meus pensamentos no lugar... isso é o que irei fazer. Porque não quero ser amado, nem elogiado, nem aceito. Eu quero ser eu mesmo, com todas as minhas deformidades psicológicas, com todos os meus anseios e meus talentos. Descubro assim um amor narcisista que desconhecia, um amor que me torna capaz de amar aos outros da maneira devida também, como cada um merece.
Estou pronto para dizer: me odeiem! Me detestem, me atinjam, me rejeitem! Estou aqui, estou vivo e mudar pelos outros já não é mais uma opção. Vou abrir minhas asas e voar ao meu modo, levando a minha vida para onde meus instintos me mandarem.
Porque tudo que eu posso ser está em mim. E tudo que eu quero ser é quem eu sou.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Uma coisa para não esquecer
É incrivelmente fácil perder o foco nessa vida. Quando estamos começando um projeto, querendo colocar uma idéia em prática, o que realmente determina se ela irá para frente ou não? Será apenas a nossa vontade? Até onde os fatores externos influenciam de verdade na nossa decisão (ou na falta dela)? Será tão difícil só continuar desejando ver aquele projeto terminado tão ardentemente como quando ele estava nascendo de nossas cabeças?
Hoje posso dizer que sou um artista muito melhor do que fui um dia, porque consigo resultados melhores. Cresci como pessoa e isso influencia diretamente no que faço, porque sou o que faço. Mas... de que adianta adornar com brilhantes uma peça que jamais será usada? Cuidar e desenvolver uma habilidade que nutrirá um hobby eterno e sem futuro? É como ficar enchendo um poço sem fundo, é um trabalho inútil.
Hoje tenho um estágio, tenho um salário e, incrivelmente, tempo de sobra para desenhar até minha mão cair. E assim tenho feito, o que me deixa satisfeitíssimo. Porém... e aqueles planos antigos? O que eu queria mesmo desenhando? Uma história cresceu dentro de mim e eu tenho muito medo de que ela morra. Me desespera saber que só depende de mim para que isso não aconteça, pois os outros estão a nossa volta apenas para nos dar o apoio que podem, mas não irão mover nossas mãos por nós. E pensar no carinho que senti quando fiz apenas 12 páginas daquela história me faz querer ser uma pessoa melhor... para finalmente terminá-la!
É como a profunda dor de estar saindo do casulo, como já falei antes para quem puder lembrar. Estou esticando minhas mãos para fora de lá... de novo. Mas percebo que não quero esticá-las, ao mesmo tempo. Porque não acredito em mim e nem que essa história vá realmente se concretizar. "Hoje não tô a fim... depois desenho... isso não tá certo... não sei o que fazer...", todos esses pensamentos deixam de ser simples sensações naturais quando viram desculpas para não ir adiante numa idéia, numa vontade. Já percorri todos os caminhos da desistência e sei que terminam na sensação de inutilidade e infelicidade, o que resulta no incômodo constante ao ver que alguém ao seu redor produz algo e você não. Como posso me sentir realizado se não fiz absolutamente nada até agora?
É sempre bom saber que por mais que contemos com os outros, por mais que estejamos bem acompanhados e felizes, uma pessoa precisa querer fazer o bem a si mesma. Porque ninguém vai realizar seus sonhos pessoais. Nada vai mudar de lugar, de cor, de forma para um caminho se abrir magicamente. E somos responsáveis pela grande inércia em que nos deixamos mergulhar por tanto tempo, deixando os sonhos escaparem pelos dedos.
Eu decidi ser feliz. Mas não sou forte para ser feliz. Então decidi que serei forte.
E assim criarei minha felicidade com minhas próprias mãos!
Hoje posso dizer que sou um artista muito melhor do que fui um dia, porque consigo resultados melhores. Cresci como pessoa e isso influencia diretamente no que faço, porque sou o que faço. Mas... de que adianta adornar com brilhantes uma peça que jamais será usada? Cuidar e desenvolver uma habilidade que nutrirá um hobby eterno e sem futuro? É como ficar enchendo um poço sem fundo, é um trabalho inútil.
Hoje tenho um estágio, tenho um salário e, incrivelmente, tempo de sobra para desenhar até minha mão cair. E assim tenho feito, o que me deixa satisfeitíssimo. Porém... e aqueles planos antigos? O que eu queria mesmo desenhando? Uma história cresceu dentro de mim e eu tenho muito medo de que ela morra. Me desespera saber que só depende de mim para que isso não aconteça, pois os outros estão a nossa volta apenas para nos dar o apoio que podem, mas não irão mover nossas mãos por nós. E pensar no carinho que senti quando fiz apenas 12 páginas daquela história me faz querer ser uma pessoa melhor... para finalmente terminá-la!
É como a profunda dor de estar saindo do casulo, como já falei antes para quem puder lembrar. Estou esticando minhas mãos para fora de lá... de novo. Mas percebo que não quero esticá-las, ao mesmo tempo. Porque não acredito em mim e nem que essa história vá realmente se concretizar. "Hoje não tô a fim... depois desenho... isso não tá certo... não sei o que fazer...", todos esses pensamentos deixam de ser simples sensações naturais quando viram desculpas para não ir adiante numa idéia, numa vontade. Já percorri todos os caminhos da desistência e sei que terminam na sensação de inutilidade e infelicidade, o que resulta no incômodo constante ao ver que alguém ao seu redor produz algo e você não. Como posso me sentir realizado se não fiz absolutamente nada até agora?
É sempre bom saber que por mais que contemos com os outros, por mais que estejamos bem acompanhados e felizes, uma pessoa precisa querer fazer o bem a si mesma. Porque ninguém vai realizar seus sonhos pessoais. Nada vai mudar de lugar, de cor, de forma para um caminho se abrir magicamente. E somos responsáveis pela grande inércia em que nos deixamos mergulhar por tanto tempo, deixando os sonhos escaparem pelos dedos.
Eu decidi ser feliz. Mas não sou forte para ser feliz. Então decidi que serei forte.
E assim criarei minha felicidade com minhas próprias mãos!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Simple Minds
Por que se engasgar com as palavras...?
Qual o sentido de tanta dúvida? Queria poder andar adiante simplesmente, sem olhar para os lados. Mas não consigo... é sempre mais forte que eu. É um hábito.
Hábitos são coisas muito importantes em nossas vidas, muitas vezes dão significado a ela. Mas são também difíceis de se mudar... exigem atenção constante e deixam armadilhas por todos os cantos. Me livrei de vários hábitos por causa das minhas condições, como por exemplo parar de mexer em minha franja porque não tenho mais uma e meu cabelo todo cresceu, fazendo voltinhas... Só que não consigo me libertar de outros hábitos ou sequer aceitá-los de verdade... só de vez em quando. Por que tem que ser tão mais fácil ser idiota? E falo de idiota mesmo... no sentido de idiotice ruim (porque há idiotice que é legal).
Quero mesmo poder apenas ir em frente... e poder confiar. O que está me segurando mesmo? Nada além de eu mesmo, disso eu sei. Pena que outras pessoas se sintam assim também, porque é bem ruim. Mas nem tudo na vida podemos controlar, temos que aprender a lidar com as adversidades e ficar mais fortes... ou não, e continuar tendo do que reclamar.
O título desse post vem de uma música de minha banda favorita, Do As Infinity. Muitas vezes eu digo que queria que as pessoas parassem de complicar as coisas, que tentassem ver o que realmente importa e está além da aparência ou do que se tem a ganhar ou perder... Mas quem sou eu pra desejar algo assim? Ninguém. Não posso exigir de ninguém algo que eu mesmo não sei fazer ainda... só brinco de saber as vezes.
É... acho que já deu.
Qual o sentido de tanta dúvida? Queria poder andar adiante simplesmente, sem olhar para os lados. Mas não consigo... é sempre mais forte que eu. É um hábito.
Hábitos são coisas muito importantes em nossas vidas, muitas vezes dão significado a ela. Mas são também difíceis de se mudar... exigem atenção constante e deixam armadilhas por todos os cantos. Me livrei de vários hábitos por causa das minhas condições, como por exemplo parar de mexer em minha franja porque não tenho mais uma e meu cabelo todo cresceu, fazendo voltinhas... Só que não consigo me libertar de outros hábitos ou sequer aceitá-los de verdade... só de vez em quando. Por que tem que ser tão mais fácil ser idiota? E falo de idiota mesmo... no sentido de idiotice ruim (porque há idiotice que é legal).
Quero mesmo poder apenas ir em frente... e poder confiar. O que está me segurando mesmo? Nada além de eu mesmo, disso eu sei. Pena que outras pessoas se sintam assim também, porque é bem ruim. Mas nem tudo na vida podemos controlar, temos que aprender a lidar com as adversidades e ficar mais fortes... ou não, e continuar tendo do que reclamar.
O título desse post vem de uma música de minha banda favorita, Do As Infinity. Muitas vezes eu digo que queria que as pessoas parassem de complicar as coisas, que tentassem ver o que realmente importa e está além da aparência ou do que se tem a ganhar ou perder... Mas quem sou eu pra desejar algo assim? Ninguém. Não posso exigir de ninguém algo que eu mesmo não sei fazer ainda... só brinco de saber as vezes.
É... acho que já deu.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
É bom poder virar uma folha! =D
Por mais idiota que essa frase possa soar, é mesmo muito importante conseguir virar a folha de vez em quando. Nossos sentimentos muitas vezes funcionam como armadilhas: caimos no buraco e lá queremos ficar, mesmo que ele nem tenha a altura para nos manter presos. É que as vezes é bom se sentir vítima de alguma coisa, não é fato? Se alguém te fez algo de ruim é muito difícil deixar isso passar, por vezes essa memória volta só para que possamos mostrar aos outros que sofremos algo, que merecemos atenção ou coisas assim. É como uma forma de afirmar suas tristezas na vida, porque as pessoas respeitam muito a tristeza dos outros. Pessoas cheias de problemas, pessoas com sofrimento não repartido muitas vezes parecem mais inteligentes e observadoras que o resto e são respeitadas por isso. Eu sei, vivo assim.
Mas admito: é muito bom poder deixar uma memória virar uma memória, deixar a página virar e tentar seguir em frente. Não faz muito tempo, meus olhos foram forçados a ver uma realidade que ainda não estava totalmente clara para mim. Convivi com ela por dias, temendo pelo mal que isso poderia me causar... só que ele não veio. Penso que em algum momento eu decidi não cair no maldito buraco e simplesmente saltei por cima dele, já que eu não estava sozinho ali. Pessoas que desviaram minha atenção, que seguraram a minha mão e ouviram o que eu tinha a dizer: a todas elas sou muito grato. Sei bem que viver como vítima de alguma coisa é um hábito também, então vou deixá-lo para trás aos poucos. Mas o sorriso que dei ali não foi mentira, meu peito não doía e isso também foi real. Por isso consigo sentir no ar o cheiro da mudança que eu resolvi procurar com minhas próprias pernas (não disse antes que seria assim de agora em diante?).
Páginas viradas, mais agora para ser lido. Ainda espero pelo ponto que mudará todo o resto do texto e dará um novo rumo à essa história. Um dia ele deve vir e quero estar pronto para isso.
"Uma dor como essas é como um calo causado por um sapato novo: no começo machuca muito, mas com o tempo nosso pé vai encontrando a forma certa e se encaixa no sapato. E o calo não dói mais."
Parou de doer! =D
Mas admito: é muito bom poder deixar uma memória virar uma memória, deixar a página virar e tentar seguir em frente. Não faz muito tempo, meus olhos foram forçados a ver uma realidade que ainda não estava totalmente clara para mim. Convivi com ela por dias, temendo pelo mal que isso poderia me causar... só que ele não veio. Penso que em algum momento eu decidi não cair no maldito buraco e simplesmente saltei por cima dele, já que eu não estava sozinho ali. Pessoas que desviaram minha atenção, que seguraram a minha mão e ouviram o que eu tinha a dizer: a todas elas sou muito grato. Sei bem que viver como vítima de alguma coisa é um hábito também, então vou deixá-lo para trás aos poucos. Mas o sorriso que dei ali não foi mentira, meu peito não doía e isso também foi real. Por isso consigo sentir no ar o cheiro da mudança que eu resolvi procurar com minhas próprias pernas (não disse antes que seria assim de agora em diante?).
Páginas viradas, mais agora para ser lido. Ainda espero pelo ponto que mudará todo o resto do texto e dará um novo rumo à essa história. Um dia ele deve vir e quero estar pronto para isso.
"Uma dor como essas é como um calo causado por um sapato novo: no começo machuca muito, mas com o tempo nosso pé vai encontrando a forma certa e se encaixa no sapato. E o calo não dói mais."
Parou de doer! =D
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Rosa: quem precisa de uma cor dessas?
Pois é, nunca fui muito fã de rosa, por ser uma cor muito... feliz! Isso não no bom sentido - é um feliz chato e insistentemente vibrante, que chega a dar dor de cabeça se em grandes quantidades. E o rosa-choque então... aquilo cega uma pessoa! (ok, menos)
Então estou eu, pessoa que não gosta de rosa, conhecendo os Power Rangers em minha infância. Cinco heróis que se transformam e lutam contra o mal, WOW! Cheguei ao ponto de criar um grupo com primos e minha irmã para salvar o mundo também (de nada, obviamente) e eu era o ranger azul, que aliás é uma cor muito mais legal. No entanto... aí começou minha sina: minha favorita dentre eles era a Kimberly, justamente a ranger rosa. Gostava do jeito dela, era uma personagem divertida e com mais vida que os outros, que eram meio mecânicos as vezes, sei lá. Mas até aí tudo bem, era só Power Rangers.
Não sei se antes ou depois dessa época, mas também conheci Cavaleiros do Zodíaco em minha pirralhice, isso na finada manchete (todo mundo faz esse trocadilho). Meu cavaleiro favorito? Shun, o rosinha. ROSA. Mas, poxa, ele era legal! Sempre gostei das suas técnicas, mesmo que ele fosse um chorão idiota as vezes. As correntes eram legais sim. E mais uma vez rosa se manifestava em minha vida... Isso depois veio a se repetir com Yu Yu Hakusho, em que meu favorito era o Kurama. Eu ate conseguia ver algumas mínimas semelhanças entre ele e o Shun, pelo estilo da arma principal, aparência andrógena, roupa rosa... Até a arma dele era uma ROSA! (vermelha, mas ainda assim conta como uma afronta!) E sim, gostava muito mais dele que dos outros, porque tinha uma personalidade legal, era inteligente e resolvia as coisas com simplicidade e estilo.
Como meu passado me condena.
Aí me chega Digimon! Ah, aquela fase da Globo com a Angélica cantando a abertura insuportável do desenho, que eu acompanha sempre que podia. Levou um tempo para decidir quem era meu favorito, de início gostei muito da Sora, mas nenhum digimon me chamava muita atenção. Até surgir a última digiescolhida, com o brasão da luz. Agora, qual seria a cor do brasão desta bendita criatura? Sim, exatamente. E era um rosa brilhante (porque era luz, então). E sim, gostei mais dela que dos outros, ainda mais por causa da Tailmon, que era o digimon dela. A Tailmon era a melhor de todos ever!! Muito mais estilosa e mal encarada, eu adorava o jeito como ela tratava os outros e o jeito como ela foi introduzida na história. Gostava muito da Angewomon também, a anja com vários detalhes rosas e que atirava uma flecha rosa... Como pode?!
Nem o jogo Resident Evil escapou disso, já que minha personagem favorita acabou sendo a Claire Redfield, com a roupa toda rosada desde o colete até o short. Olhando assim até parece que gosto de rosa, não é? Parece uma mentira deslavada eu dizer que é uma cor irriante. Mas imagina como seria se eu escolhesse o personagem favorito por uma característica como a cor de suas roupas ou de seu poder? Isso não seria, de alguma forma, pequeno? Sei lá, cada um desses personagens tinha coisas interessantes e que superaram a sensação que o rosa causa em mim, então consegui levar adiante. Já costumo gostar de coisas que provavelmente me irritariam por elas terem detalhes interessantes.
Aí, um belo dia em que conversava no msn com um amigo, tive o prazer de ser apresentado à criatura mais rosa que já tinha visto até o momento: hiper-fofa, com milhares de emoticons, fonte rosa e provavelmente um avatar rosa também, para 'equilibrar' o conjunto. Eu, uma pessoa chata e crítica, pensei "essa menina é fofa demais... COMO conseguirei manter uma conversa normal com ela???" (normal, claro), porque ela simplesmente era, ahn, tudo que eu não seria por achar feliz demais. Mas ok, vamos lá, ela era amiga de meu amigo e não havia porque me acanhar, logo aquela tempestade iria passar e eu voltaria ao meu mundo de trevas azuis... E meses depois já éramos amigos e até parentes! Como antes, só precisei ver além da casca rosada para achar características que me agradassem profundamente e que aprendi a admirar, acho que porque vi muita verdade por detrás de tudo aquilo que me assustou no início. Porque é isso que acho que vale mais no final... o que há por dentro, o que está além do superficial.
Então posso dizer que todas essas pessoas não conseguiram me fazer amar o rosa ainda. Mas mesmo sendo uma cor irritante e que dá dor de cabeça, ela assumiu um significado bem diferente para mim. Portanto, se a vida pretende me forçar ainda mais rosa goela abaixo, peço que sejam rosas como essas que subjulgaram minha chatice. Porque descobri o motivo de rosa só ser bom em quantidades moderadas: é uma cor especial para pessoas especiais.
Aproveito a deixa, então, para desejar a uma pessoa mais do que especial:
Então estou eu, pessoa que não gosta de rosa, conhecendo os Power Rangers em minha infância. Cinco heróis que se transformam e lutam contra o mal, WOW! Cheguei ao ponto de criar um grupo com primos e minha irmã para salvar o mundo também (de nada, obviamente) e eu era o ranger azul, que aliás é uma cor muito mais legal. No entanto... aí começou minha sina: minha favorita dentre eles era a Kimberly, justamente a ranger rosa. Gostava do jeito dela, era uma personagem divertida e com mais vida que os outros, que eram meio mecânicos as vezes, sei lá. Mas até aí tudo bem, era só Power Rangers.
Não sei se antes ou depois dessa época, mas também conheci Cavaleiros do Zodíaco em minha pirralhice, isso na finada manchete (todo mundo faz esse trocadilho). Meu cavaleiro favorito? Shun, o rosinha. ROSA. Mas, poxa, ele era legal! Sempre gostei das suas técnicas, mesmo que ele fosse um chorão idiota as vezes. As correntes eram legais sim. E mais uma vez rosa se manifestava em minha vida... Isso depois veio a se repetir com Yu Yu Hakusho, em que meu favorito era o Kurama. Eu ate conseguia ver algumas mínimas semelhanças entre ele e o Shun, pelo estilo da arma principal, aparência andrógena, roupa rosa... Até a arma dele era uma ROSA! (vermelha, mas ainda assim conta como uma afronta!) E sim, gostava muito mais dele que dos outros, porque tinha uma personalidade legal, era inteligente e resolvia as coisas com simplicidade e estilo.
Como meu passado me condena.
Aí me chega Digimon! Ah, aquela fase da Globo com a Angélica cantando a abertura insuportável do desenho, que eu acompanha sempre que podia. Levou um tempo para decidir quem era meu favorito, de início gostei muito da Sora, mas nenhum digimon me chamava muita atenção. Até surgir a última digiescolhida, com o brasão da luz. Agora, qual seria a cor do brasão desta bendita criatura? Sim, exatamente. E era um rosa brilhante (porque era luz, então). E sim, gostei mais dela que dos outros, ainda mais por causa da Tailmon, que era o digimon dela. A Tailmon era a melhor de todos ever!! Muito mais estilosa e mal encarada, eu adorava o jeito como ela tratava os outros e o jeito como ela foi introduzida na história. Gostava muito da Angewomon também, a anja com vários detalhes rosas e que atirava uma flecha rosa... Como pode?!
Nem o jogo Resident Evil escapou disso, já que minha personagem favorita acabou sendo a Claire Redfield, com a roupa toda rosada desde o colete até o short. Olhando assim até parece que gosto de rosa, não é? Parece uma mentira deslavada eu dizer que é uma cor irriante. Mas imagina como seria se eu escolhesse o personagem favorito por uma característica como a cor de suas roupas ou de seu poder? Isso não seria, de alguma forma, pequeno? Sei lá, cada um desses personagens tinha coisas interessantes e que superaram a sensação que o rosa causa em mim, então consegui levar adiante. Já costumo gostar de coisas que provavelmente me irritariam por elas terem detalhes interessantes.
Aí, um belo dia em que conversava no msn com um amigo, tive o prazer de ser apresentado à criatura mais rosa que já tinha visto até o momento: hiper-fofa, com milhares de emoticons, fonte rosa e provavelmente um avatar rosa também, para 'equilibrar' o conjunto. Eu, uma pessoa chata e crítica, pensei "essa menina é fofa demais... COMO conseguirei manter uma conversa normal com ela???" (normal, claro), porque ela simplesmente era, ahn, tudo que eu não seria por achar feliz demais. Mas ok, vamos lá, ela era amiga de meu amigo e não havia porque me acanhar, logo aquela tempestade iria passar e eu voltaria ao meu mundo de trevas azuis... E meses depois já éramos amigos e até parentes! Como antes, só precisei ver além da casca rosada para achar características que me agradassem profundamente e que aprendi a admirar, acho que porque vi muita verdade por detrás de tudo aquilo que me assustou no início. Porque é isso que acho que vale mais no final... o que há por dentro, o que está além do superficial.
Então posso dizer que todas essas pessoas não conseguiram me fazer amar o rosa ainda. Mas mesmo sendo uma cor irritante e que dá dor de cabeça, ela assumiu um significado bem diferente para mim. Portanto, se a vida pretende me forçar ainda mais rosa goela abaixo, peço que sejam rosas como essas que subjulgaram minha chatice. Porque descobri o motivo de rosa só ser bom em quantidades moderadas: é uma cor especial para pessoas especiais.
Aproveito a deixa, então, para desejar a uma pessoa mais do que especial:
FELIZ ANIVERSÁRIO!!
Porque outros rosas vieram e passaram. Mas este, felizmente, faz parte do meu presente. =D
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Pontinhos vermelhos - existe um plural?
Estive procurando um meio de falar desse assunto por metáforas legais pra ficar um texto bonito, mas perdi a vontade de fazer isso porque não preciso. Como já disse - acho que em todo post eu devo dizer -, vivo aprendendo e percebendo muitas coisas. Algumas delas estão alheias a mim e as absorvo; outras se esconderam na pessoa que eu tento ser e vão ganhando forma aos poucos. Falei de meus tesouros, de medos, de sonhos, pois é. Porém há uma coisa em especial que vivo buscando em minha vida e que sei ser extremamente determinante.
Ultimamente venho me sentindo mais e mais cansado de olhar para os lados e me sentir sozinho. Tenho amigos preciosos ao meu redor e sei que nem conseguiria viver sem eles, mas falo de uma companhia diferente: de um amor. E, francamente, até hoje não dei muita sorte com isso de amor. Dizem por aí que "não é fácil pra ninguém", todos temos nossas dificuldades para lidar com a falta ou a presença desse amor em nossas vidas. Penso que dar certo ou não envolve inúmeras variáveis que as vezes parecem ínfimas, só que acabam por fazer toda a diferença. Se a pessoa gosta de coisas parecidas ou não, se tem tais formas, se sabe tais coisas, se tem um comportamento 'x' e não 'y'... acho que buscamos um pouco de nós mesmos em outras pessoas, no geral.
Mas nem sempre é assim que acontece, por isso inúmeras variáveis.
Só sei que isso sempre teve uma grande importância para mim.
Em meio a inúmeras variáveis de minha vida, cresci acreditando que ficaria sozinho e assim que deveria ser. E foi por anos, a maior parte de minha vida. Eu devia ser quase uma aberração para meus amigos que arranjavam as suas companhias e seguiam experimentando esse lado da vida que para mim era tão intocável. Não havia meios ou motivos para que eu tivesse algum envolvimento amoroso com qualquer pessoa, mesmo tendo amado, então segui em frente com minha vida. Foi quando aconteceu... pela primeira vez. E foi incrível. Não podia descrever o tamanho da felicidade que devia estar estampada em meu rosto pateta, algumas pessoas disseram que eu estava a ponto de irradiar uma espécie de luz imaterial. Os outros também ficam assim quando se apaixonam, não é? Essa sensação mágica de completude e insegurança, misto de tantas coisas opostas num turbilhão cheio de cores.
Confiar nas pessoas nem sempre acaba bem, contudo.
E não acabou comigo. Ou melhor, acabou de uma forma bem dolorosa e cruel. Pude experimentar uma dor nova também, de proporções gigantescas e com o gosto amargo da profunda decepção. Até que foi passando, como todo o resto. Então me tornei mais esperto, mais centrado no que eu tinha para oferecer e no que eu queria encontrar, mas... o tempo sempre faz o seu trabalho. Não faz?
A verdade é que sempre me senti como um pontinho vermelho num mar cinzento. Por isso talvez não seja possível para mim achar esse amor pelo qual procuro. Ou talvez eu mesmo esteja me segurando nesse pensamento covarde para evitar que isso aconteça de verdade - não é fácil amar, exige tremer todas as suas bases e armaduras, deixar a outra pessoa entrar. Que depende de mim, eu sei. Aprendi que nem só de mim também, o que foi importante. E a esperança, como me disseram um dia, é imperiosa e não dá seu braço a torcer. Só...
Não consigo tirar da minha mente.
Que as vezes, talvez...
Se trate de uma busca sem sentido. Por outro pontinho vermelho.
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